Quedas no idoso

Quedas no idoso

As quedas, embora aconteçam em qualquer idade, são mais frequentes nas idades extremas da vida (até aos cinco anos e depois dos sessenta e cinco anos). Sendo uma causa frequente de ida ao serviço de urgência nestes grupos etários, têm no entanto uma gravidade acrescida no grupo dos idosos, justificando o seu internamento com muito maior fequência que nas crianças e representando a causa mais importante de mortalidade por acidente depois dos setenta e cinco anos.

Porque é que as quedas são frequentes no idoso ?

As quedas são mais frequentes no idoso devido a alterações relacionadas com o envelhecimento, tais como as doenças degenerativas dos ossos e articulações, a deficiente irrigação cerebral e a diminuição das capacidades audititivas e visuais.

Existem factores de risco que aumentam a frequência das quedas no idoso ?

Sim. A coexistência de factores de risco, como a depressão associada ao isolamento social, a polimedicação ,o uso de determinados medicamentos como tranquilizantes e sedativos, ou as condições de habitação do idoso, aumenta a probabilidade de ocorrência de quedas.

Quais são as principais causas de queda no idoso ?

As principais causas de queda no idoso são acidentais e devem-se à inexistência de condiões de segurança no local de residência (degraus gastos, soalhos encerados e escorregadios, irregularidades no pavimento, tapetes soltos, mobiliário inadequado, banheiras sem tapete e sem apoios, escadas sem corrimão, objectos colocados em locais altos e de difícil acesso, etc.). As alterações da marcha, com diminuição da força muscular, rigidez articular e dor associada ao desgaste das articulações, as alterações do equilíbrio por diminuição da sensibilidade postural e por diminuição da circulação cerebral e do labirinto (órgão do equilíbrio localizado no ouvido interno), e as alterações da visão e audição, são algumas das alterações próprias do envelhecimento que podem contribuir para as quedas no idoso. Algumas destas alterações são agravadas pelo isolamento social,  pois o desinteresse e apatia levam o idoso a alimentar-se mal e a sair pouco, aumentando a atrofia muscular e as dificuldades de locomoção. Os quadros de confusão mental e de demência , que podem ser confundidos com estados depressivos ou agravados por estes, são também causa de comportamentos inadequados que podem originar quedas. As quedas podem também ser provocadas por doenças que, não sendo causadas apenas pelo envelhecimento, são mais frequentes nesta idade. Incluem-se neste grupo as arritmias cardíacas, as quedas da tensão arterial que surgem com as mudanças bruscas de posição, a epilepsia e outras doenças neurológicas, a diabetes, etc. A polimedicação (uso de um número excessivo de medicamentos) , o uso de certos medicamentos ou a toma incorrecta dos mesmos devido a confusão mental e a perturbações da memória, são também causa importantes de queda no idoso. Ao referir o abuso de substâncias devemos ter presente que muitas das quedas se devem a consumo excessivo de àlcool. Mais raramente as quedas resultam de situações agudas, como a Pneumonia, o Infarte de Miocárdio ou um Acidente Vascular Cerebral.

Quais são as consequências das quedas no idoso ?

As quedas no idoso têm habitualmente consequências mais graves que nos outros grupos etários, quer a nível físico, quer a nível psicológico. A nível físico as consequências mais graves são os traumatismos craneanos, as fracturas e as luxações (deslocação das articulações). Uma das situações mais frequente e grave é a fractura do colo do fémur (fractura da anca ), que ocorre quase sempre depois dos setenta anos, e que resulta em mais de 90 % dos casos de uma queda. A fractura do colo do fémur, além de levar a longos períodos  de hospitalização (com elevados custos económicos ), tem complicações frequentes resultantes da imobilização prolongada, sendo uma causa importante de mortalidade e de diminuição da qualidade de vida. As consequências psicológicas das quedas no idoso, sobretudo se se trata de uma queda grave ou de quedas repetidas, são a diminuição da autonomia, devido ao receio de cair, a autolimitação das actividades sociais e a necessidade ,sentida pelo próprio ou pelos familiares , de internamento em instituição de terceira idade. O medo de cair e o aumento da dependência, vão condicionar uma maior imobilidade com agravamento dos deficits funcionais, num ciclo vicioso que potencia  o risco de novas quedas.

Qual é o papel do médico na prevenção das quedas do idoso ?

A contribuição do médico para prevenção das quedas no idoso assenta em primeiro lugar na identificação dos factores de risco, para correcção dos que são passíveis de ser corrigidos. O médico deverá conhecer a casa do idoso , sugerindo as modificações necessárias para adaptação do ambiente domociliário às alterações do envelhecimento. O médico procurará ainda resolver ou atenuar os problemas de saúde que estão na origem das quedas, evitando a polimedicação, pelo risco que esta em si representa para um organismo mais sensível aos efeitos tóxicos dos medicamentos. Na impossibilidade de resolver todos os problemas de saúde, o médico tem ainda um papel importante no envolvimento da família e/ou da rede de suporte social do idoso, procurando mantê-lo tão autónomo quanto possível, criando respostas para as limitações próprias do envelhecimento e evitando a quebra dos laços familiares e o isolamento.

Como pode a família contribuir para prevenir as quedas do idoso ?

Os familiares têm um papel importante na prevenção das quedas do idoso. São eles que melhor podem contribuir para manter o idoso activo, autónomo, embora apoiado nas tarefas que o envelhecimento dificulta (como certas tarefas domésticas). Podem acompanhá-lo ao médico e ajudá-lo na toma dos medicamentos se já apresenta alterações significativas da memória ou do racíocinio ( há nas farmácias caixas que possibilitam a preparação prévia da medicação a fazer diáriamente). Devem estar atentos às condições de segurança, resolvendo atempadamente as “armadilhas ” que representam pequenos obstáculos dentro da casa . A disponibilidade da família e a sua colaboração com o médico são a melhor forma de prevenção das quedas no idoso , assim como de lidar com este problema quando ele está instalado.

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